quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

PORQUE SE FAZ UMA GUERRA


 OS PORQUÊS DO ATAQUE AMERICANO AO IRAQUE EM 1991  

Fonte: 
Curso de “Análise de Modelos e Gestão dos Recursos naturais 1", Politécnico de Milão


Custos da Guerra do Golfo  
40 mil milhões de dólares

Quem pagou?  
À primeira vista, pode parecer que os 40 mil milhões foram pagos pelos EUA.  
Em parte, isso foi verdade. 
Com efeito:  
 - 25% dos custos foram cobertos pelos EUA.
(10 mil milhões)   
- 75% dos custos foram suportados pelos países árabes, em particular pelo Kuwait e Arábia Saudita (30 mil milhões)
 O preço do petróleo antes da guerra rondava os 15 dólares por barril.  
Mas, durante a Guerra do Golfo chegou a atingir os 42 dólares por barril, gerando uma receita EXTRA estimada em 60 mil milhões de dólares
  
Quem beneficiou destes lucros?  
Nos países árabes vigora a lei dos 50%: 50% para o governo e 50% para a multinacional que explora a jazida. 
Logo… 

Mas, aonde foram buscar o dinheiro?
Receita líquida derivada do aumento do petróleo: 60 mil milhões de dólares  
- 30 mil milhões de dólares para as companhias petrolíferas  
- 30 mil milhões de dólares para os governos do Kuwait e da Arábia Saudita
  
Mas, quem são os donos das companhias petrolíferas?  
No Médio Oriente a extracção e comércio do petróleo estão totalmente controlados pelas 7 Irmãs (Shell, Tamoil, Ello.), todas americanas, 5 das quais controladas pelo governo americano. 
30mil milhões de dólares 
- 21 mil milhões de dólares ao governo americano  
- 9 mil milhões de dólares a empresas privadas americanas

Vamos a contas:

Países Árabes 
Gastos de Guerra - 30 mll milhões
Lucros devidos à subida do petróleo - 30 mil milhões
Ganhos e perdas - 0
Governo EUA
Gastos de Guerra - 10 mll milhões 
Lucros devidos à subida do petróleo - 21 mil milhões
Ganho - 11 mil milhões
Privados EUA 
Gastos de Guerra - 0  
Lucros devidos à subida do petróleo - 9 mil milhões 
Ganho -  9 mil milhões 

Começa a fazer sentido
Será que apenas queriam libertar o Kuwait? 


Os EUA, entre o aumento do preço do crude e as receitas derivadas da guerra, ganharam:  
11 mil milhões de dólares directamente  
49 mil milhões de dólares derivados da guerra!

Mas, não ficámos por aqui…  

Quem acabou por pagar a guerra contra o Iraque?
Os que utilizam o petróleo.  
Ou seja, nós!
Mas, não ficámos por aquí…
Aonde foram parar os 40 mil milhões de dólares que se gastaram com a guerra?  
À indústria de armamento que, por acaso, é maioritariamente  
AMERICANA 

Mas, não ficámos por aquí…
Considerações finais 
1 - Hoje em dia faz sentido pensar que a guerra do Golfo apenas existiu por motivos económicos e não por razões humanitárias ou de defesa da liberdade. 
Torna-se fácil compreender os motivos da guerra do Afeganistão e da eminente guerra contra o Iraque.
 No caso do Afeganistão, o objectivo foi o de implementar um governo «amigo» capaz de facilitar a construção de um oleaduto americano com 2.500 km de extensão.  
Este oleoduto, de importância estratégica para as empresas americanas, tinha como alternativa um outro com 5500 km de comprimento que, além de ficar mais caro na sua construção, também encareceria na sua exploração devido às rendas que os países atravessados iriam pedir às companhias petrolíferas.
  
Tornou-se mais fácil arrasar um país já ele destruído devido a 30 anos de conflitos internos e externos, colocar uma administração manobrada por Washigton e, simultaneamente, construir e administrar tranquilamente o oleaduto.  

2- Mas, porque quer Bush declarar novamente guerra ao Iraque? 

Porque a Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo, também é um dos países mais fundamentalistas do Islão. E, por muito que custe aos EUA, um dos principais fornecedores em meios humanos e financeiros da maior ameaça ao status-quo americano - os grupos terroristas dos quais Bin Laden se tornou cabeça de cartaz. Também se está a tornar mais difícil vender ao resto do mundo uma Arábia Saudita democrática quando a opinião pública internacional cada vez mais se apercebe da violação dos mais elementares direitos humanos por parte do regime árabe.  

3 - A forma mais fácil, obviamente, é provocar uma guerra com o Iraque e establecer um regime directamente dependente dos EUA.
Surge então a pergunta:
Porquê o Iraque?

Por 3 simples motivos:  - É um país que está impedido de se defender: a pobreza causada pelo embargo mata de fome e de doenças 300.000 crianças por ano.
- Tem um pretexto sonante: a presença de armas de destruição massiva (apenas possíveis com elevada tecnologia de ponta e vastos recursos financeiros), tentando lançar areia aos olhos da opinião pública mundial e escamoteando assim o verdadeiro motivo que é o controle do petróleo.
Com a queda da URSS existe um desiquilíbrio mundial ao ponto de, neste momento, nenhuma potência se interessar em proteger o Iraque, tornando-o assim um alvo de um ataque

 4 - Nos últimos meses estalou uma revolta social na Venezuela como consequência das desastrosas condições de vida da população ditadas pelas multinacionais norteamericanas do petróleo  
Na verdade, a Venezuela é o principal abastecedor de crude dos Estados Unidos.
Tornou-se pois prioridade da administração Bush encontrar urgentemente uma alternativa à Venezuela e à Arábia Saudita para os seus fornecimentos de petróleo. 

5 - Que fazer?  
Antes de mais, dar a conhecer ao maior número de pessoas as verdadeiras causas da guerra. Se uma pessoa vive na ignorância é facilmente manipulada. Se em contrapartida começar a pensar, é capaz de tomar medidas e posições contra actos cujo objectivo final é o dinheiro.  
Apoiar todas as iniciativas que visam evitar esta nova e inútil guerra. Bastam pequenos gestos, como amarrar um lenço branco à mochila ou ao cinto e exibir o símbolo da paz.  
Ir ao site: www.emergency.it


Pesquisa 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A DEMISSÃO DE CARLOS MULAS



23-01-2013

Co - autor de relatório do FMI para Portugal despedido por fraude

Um dos autores do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a refundação do Estado português foi demitido esta quarta-feira da direcção da Fundação Ideas, que pertence ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), por suspeita de desvio de verbas.
Carlos Mulas é agora obrigado a rescindir contrato com a fundação e a devolver mais de 50 mil euros pagos a uma suposta Amy Martin, uma colunista que escrevia artigos para a instituição e que, na verdade, não existe.
A direcção da fundação investigou o caso e constatou que eram pagos três mil euros por cada artigo, pagamentos de que Carlos Mulas é o único responsável. O PSOE não exclui agora avançar para uma acção judicial na sequência desta notícia de fraude, avançada pelo jornal espanhol "El Mundo".

Num artigo publicado pelo próprio no site da Fundação Ideas, intitulado "Colaboração e confrontação: Os sindicatos e a social-democracia em Espanha", Carlos Mulas termina com um agradecimento a Amy Martin, a suposta colunista que agora a fundação confirma nunca ter existido.
Carlos Mulas, economista e assessor económico do ex-chefe de Governo espanhol José Luis Rodriguez Zapatero, manifestou-se publicamente contra os cortes no Estado no Reino Unido e em Espanha, mas foi um dos autores do relatório do FMI que propõe cortes de quatro mil milhões de euros no Estado português

PODE CONSULTAR AQUI O COMUNICADO DA "FUNDAÇÃO IDEAS" A EXPLICAR A DEMISSÃO DE CARLOS MULAS



28/01/13
Mas hoje a ex-mulher de Granados, Irene Zoe Alameda, explica que foi ela a autora dos artigos escritos sob o pseudónimo Amy Martin, garantindo que o seu ex-marido só soube desse facto na quarta-feira.


Segundo o jornal El Mundo relata que o gerente do PSOE, Xoán Cornide, reuniu-se com Amy Martin, o autor criado pelo ex-diretor da Fundação Ideas, Carlos Mulas e sua esposa, e assinou um contrato com ela, pagando 0, 26 € por cada personagem, incluindo espaços e traduzidos


Imagens Google

"UM CANHÃO PELO CÚ"



Texto que está a incendiar a Espanha




O seguinte texto foi publicado recentemente no El País, tendo-se tornado absolutamente viral em Espanha: comentadores sobre o terrorismo financeiro e a captura económica. Chama as coisas pelos seus nomes e faz uma análise sobre o capitalismo actual que está a incendiar não só Espanha como todo o mundo. O título é "Um canhão pelo cú", e é escrito por Juan José Millas.




UM CANHÃO PELO CÚ


Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobre protegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres. E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.

Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.
Juan José Millas

TERÇA-FEIRA, 29 DE JANEIRO DE 2013


domingo, 14 de abril de 2013

TRÊS PASSOS PARA RESOLVER A CRISE DO EURO


Três passos para resolver a crise do euro

George Soros 
17/08/11

Uma solução abrangente para a crise da zona euro terá de englobar três componentes fundamentais, diz Soros.
A reforma e recapitalização do sistema bancário; um regime de euro-obrigações; e um mecanismo de emergência são essenciais, segundo o investidor norte-americano.
Em primeiro lugar, temos o sistema bancário. O tratado de Maastricht previu apenas desequilíbrios no sector público; mas os excessos no sector bancário privado têm sido bem mais graves. A introdução do euro levou a uma explosão do sector imobiliário em países como a Espanha e a Irlanda. Os bancos da zona Euro tornaram-se dos mais endividados do mundo e, continuam a ter necessidade de protecção dos riscos das suas contrapartes.
O primeiro passo tomado foi autorizar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira a salvar os bancos. Agora os níveis de capital próprio dos bancos terão de ser muito aumentados. Se uma agência garante a solvência dum banco, têm também de o supervisionar. Uma agência de supervisão bancária poderosa, a nível europeu, poderia acabar com a relação incestuosa entre bancos e agentes reguladores, interferindo mais nas políticas fiscais e menos na soberania de cada nação.
Em segundo lugar, a Europa necessita de euro-obrigações. A introdução do Euro supostamente reforçaria a convergência; na realidade, criou divergências, com níveis muitíssimo diferentes de dívida e competitividade. Se os países altamente endividados têm de pagar juros muito pesados, a sua dívida tornar-se-á insustentável. É o que se passa actualmente. A solução é óbvia: os países deficitários devem poder renegociar a sua dívida nas mesmas condições que os países excedentários.
Este passo pode ser conseguido através da emissão de euro-obrigações, que seriam seguras em conjunto pelos países membros. O princípio parece simples, mas os detalhes requerem muito trabalho. Que agência os emitiria e de acordo com que regras? Presumivelmente, as euro-obrigações seriam controladas pelos Ministros das Finanças da Zona Euro. Este conselho actuaria como contraparte fiscal do Banco Central Europeu; e seria a contraparte europeia do Fundo Monetário Internacional.
O debate centrar-se-á, pois, em torno do direito de voto. O BCE (Banco Central Europeu) opera segundo o princípio de um voto por país; o FMI dá direito de voto de acordo com as contribuições de capital. Qual destes métodos deve prevalecer? O primeiro poderia dar carta branca aos países deficitários para acumularem a sua dívida; o último poderia perpetuar uma Europa a duas velocidades. É necessário um compromisso entre os dois.
Como o futuro da Europa depende da Alemanha e como as euro-obrigações poriam a solvabilidade da Alemanha em risco, qualquer acordo irá colocar a Alemanha na cadeira da liderança. Infelizmente, a Alemanha tem ideias erradas sobre política macroeconómica e quer que a Europa siga o seu exemplo. Mas o que resulta na Alemanha pode não resultar no resto da Europa: nenhum país pode ter uma balança comercial cronicamente superavitária, sem que os outros apresentem défices. A Alemanha tem de concordar com regras pelas quais os outros países se possam também reger.
Estas regras devem conseguir obter uma redução global do endividamento. Devem também permitir aos países com altas taxas de desemprego, como a Espanha, gerir os défices orçamentais. Por exemplo, regras que estabeleçam objectivos para défices ciclicamente ajustados podem resolver amas as questões. Um ponto importante é que estas devem ser susceptíveis de correcção e melhoramento.
O Laboratório Económico Europeu e Mundial de Bruxelas propôs que as obrigações europeias constituam 60% da dívida externa dos membros da zona euro. Mas devido aos juros elevados persistentes na Europa, esta percentagem é demasiado baixa para conseguir condições de concorrência equitativas. Na minha opinião, as novas emissões de títulos deverão ser inteiramente de euro-obrigações, num limite decidido pelo Conselho.
Quantos mais euro-obrigações um país quiser emitir, mais severas devem ser as condições impostas pelo conselho. Este deverá ter competência para impor a sua decisão, pois a recusa de emissão de euro-obrigações adicionais terá de ter um poder dissuasivo final.
Isto leva directamente ao terceiro problema por resolver: o que acontece se um país não quiser ou não puder cumprir as regras acordadas? A incapacidade de emitir euro-obrigações poderia resultar num incumprimento público ou desvalorização. Na ausência de um mecanismo de emergência, isto pode ser catastrófico. Uma medida coerciva que é demasiado perigosa para ser invocada tem pouca credibilidade.
A Grécia constitui um exemplo de coacção e muito depende do desfecho da sua crise. É possível delinear uma saída viável para um país pequeno como este, mas que não será aplicável a um país de maior dimensão como a Itália. Na falta de uma saída viável e global, o regime terá de levar a cabo sanções às quais não se possa fugir - algo como um ministro das finanças europeu, que tenha legitimidade quer política, quer financeira. Tal resolução só poderá surgir após uma reflexão profunda sobre o Euro, tão necessária neste momento (especialmente na Alemanha).
Os mercados financeiros podem não oferecer as condições de moratória necessárias para pôr em prática os novos modelos. Mas sob uma pressão contínua dos mercados, o Conselho Europeu poderá ter de encontrar uma solução provisória ou temporária para evitar uma calamidade. Por exemplo, autorizar o BCE a emprestar dinheiro a governos que não tenham crédito, até estar instalado um sistema de emissão de euro-obrigações. Mas apenas uma coisa é certa: estes três problemas têm de ser resolvidos para manter o Euro como uma moeda viável.

sábado, 19 de janeiro de 2013

EXAME DA 4ª CLASSE

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Exame 4ª Classe 

Antes da aprovação de uma nova Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei 46/86)

Quantos licenciados de hoje saberiam responder a metade disto...?
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domingo, 14 de outubro de 2012

Detalhes que atenuam a austeridade...lá fora




Visão online, 07/10/2012


Em Portugal, a crise está a ser enfrentada, basicamente, à custa do aumento da receita fiscal, com cortes... no rendimento disponível das famílias. Aumentam-se os impostos, cortam-se as deduções, reduz-se o subsídio de desemprego e o abono de família, eliminam-se salários, ou parte deles, em nome da consolidação das contas públicas. Também se vai tentando cortar na despesa do Estado, de forma tímida, extinguindo umas fundações ou acabando com algumas rendas excessivas como a da energia.
O desemprego aumenta, o consumo interno cai, a economia fica ainda mais deprimida. Nada de muito diferente do que se passa um pouco por toda a Europa, incluindo nos colossos económicos, como a França e a Espanha. Porém, e ao contrário do que sucede em Portugal, lá fora vão sendo dados sinais de que a fatura da crise é para ser paga por todos. Trata-se de decisões diferentes, ligeiras nuances na forma de atacar o problema, que, por cá, poderiam fazer toda a diferença.
Eis alguns exemplos de medidas, algumas delas com peso meramente simbólico, que, se aplicadas em Portugal, poderiam aliviar o ritmo a que os portugueses estão a ir para a rua protestar.









Os caminhos alternativos da austeridade



Visão online, 07/10/2012


A crise não veio com manual de instruções. Em França, combate-se o desemprego, pondo travões aos despedimentos; em Portugal facilitam-se. Muitos países baixaram os impostos; outros, como o nosso, aumentaram a carga fiscal. Mas nem somos nós o exemplo acabado das más práticas nem nenhum Estado tem a estratégia perfeita. Há, no entanto, alternativas a este sufoco. Fomos à procura delas



«Podíamos ter um défice público de 8,6 por cento.
Podíamos ter reduzido o desemprego, ao mesmo tempo que aumentávamos os salários e os benefícios para os trabalhadores. A produtividade subia e, num ano, a economia saltava da recessão para o crescimento. Claro que era preciso investimento estatal e obras públicas, para impulsionar as atividades económicas, dinheiro conseguido à custa do aumento da dívida. Ainda assim, veríamos a luz ao fundo do túnel.
Podíamos ter feito tudo isto se fossemos o país mais rico do mundo. Mas não nos chamamos Estados Unidos da América.
Muitos erros foram cometidos na nação de Barack Obama, depois da crise iniciada em 2008. Por cima de tudo sempre pairou um sentimento de injustiça por muitos dos grandes responsáveis por aquela hecatombe mundial continuarem com a vidinha de sempre. Gastouse acima de todas as possibilidades para amparar a queda dos gigantes financeiros, vítimas de si próprios.
No fim, houve algo que compensou.
Seria a reposição do poder de compra dos mais pobres, com o aumento do salário mínimo? A diminuição de impostos para as empresas? O aumento do investimento público na saúde, na educação e nas infraestruturas? As facilidades dadas às pequenas empresas para acederem ao crédito? Tudo o que Portugal não fez.
Aqui, veio a receita foi a austeridade.
Cada país tem as suas realidades e as suas contas, mas não há razão para não olharmos para fora, tentando descortinar algumas (boas) soluções para a nossa atual crise. Temos uma dívida enorme (que chegará aos 124% do PIB em 2013), um défice descontrolado (ou só controlado à custa de receitas extraordinárias que se vão inventando), uma economia moribunda, mas ainda conseguimos reagir quando nos aumentam os impostos.
SIDRA EM VEZ DE CHAMPANHE 
Na França, também aumenta a carga fiscal, mas o alvo não é bem o mesmo que em Portugal. A medida mais simbólica do Orçamento apresentado por François Hollande é a criação de uma taxa de 75% para rendimentos profissionais superiores a um milhão de euros anuais.
Já quem ganha acima de 150 mil euros por ano vai ter uma taxa marginal de 45% que, juntando às contribuições para a Segurança Social e outros impostos, acaba por chegar aos 62,2 por cento.
"Estamos muito longe de chegar a este ponto", compara José Castro Caldas, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. "Tributar rendimentos extraordinários tem algum efeito orçamental. Pode, por exemplo, usar-se como instrumento de política de redistribuição de rendimento, financiando-se dessa maneira o Rendimento Social de Inserção e o subsídio de desemprego.
O impacto macroeconómico é importante, pois está a atribuir-se poder de compra a uma parte da população que não o tem", continua este doutorado em Economia.
Há um perigo, claro, o da fuga das grandes fortunas. "Os franceses estão pouco preocupados com essa chantagem e fazem bem porque, normalmente, tal não passa de ameaça. No entanto, uma medida dessas pode ser acordada no seio da União Europeia, não sei porque não existe uma harmonização fiscal", observa Castro Caldas.
Estas altas taxas têm outro efeito: carregam um simbolismo. A classe média e os mais pobres ficam com a ideia de que não pagam a crise sozinhos, ao contrário do que acontece em Portugal. Aliás, o Orçamento do Estado para 2013, cozinhado pelos socialistas franceses, está repleto de medidas simbólicas.
Exemplos: descida de 30% dos salários do Presidente da República e dos ministros; número de colaboradores de cada ministro limitado a 15; redução da frota de carros oficiais do Governo, que passou de 117 para 91; remuneração de dirigentes de empresas públicas limitada a um máximo de 450 mil euros por ano... Finalmente, deixou de se servir champanhe em certas receções no Eliseu agora bebe-se sidra.
Para o combate ao desemprego, Hollande tem duas propostas: uma, já aprovada pelo Senado, passa pela criação de 150 mil postos de trabalho, subsidiados pelo Estado, para jovens com poucas qualificações; a outra consiste em aumentar o valor das indemnizações por despedimento. "A ideia é encarecer de tal ordem os despedimentos que não compense às empresas fazê-los", afirmou o ministro do Trabalho. 
MEDIDAS ALTERNATIVAS 
Na Alemanha, houve acordos sociais entre patrões e trabalhadores para reduzir o tempo de trabalho e as horas extraordinárias, como forma de promover o emprego.
O país de Angela Merkel, defensor primeiro da austeridade para os Estados do Sul da Europa, respondeu à crise financeira, em 2009, reduzindo os impostos e as contribuições sociais tanto aos empregadores como aos trabalhadores.
Já a Espanha, que, numa primeira fase, quis enfrentar a crise com medidas expansionistas (aumento das indemnizações por despedimento, aceleração do investimento em obras públicas e redução de impostos para pequenas empresas que não despedissem), acabou por sucumbir aos mercados. Agora, vemos os espanhóis na rua contra as medidas de austeridade. O desemprego chegou aos 24,6% (cerca de 4,7 milhões de pessoas).
Nem a economia nem a banca de Espanha aguentaram a "fuga para a frente".
Mas entre o congelamento dos salários dos funcionários públicos (e a supressão do subsídio de Natal deste ano) e o aumento do IVA (de 18% para 21%), o Governo tenta travar a subida dos combustíveis, negociando com as petrolíferas uma medida sem impacto orçamental mas de grande importância para a vida do povo.
"A negociação com as farmacêuticas, para baixar os preços dos medicamentos, teve resultados, o que mostra que, quando há vontade política, muita coisa se pode conseguir", refere Castro Caldas.
"Em Portugal, a inação do Governo é notória. Há, de facto, medidas pequenas que podiam apontar para um rumo", critica José Reis, diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
E enuncia: "Primeiro: reposição imediata das mais grosseiras reduções dos rendimentos do trabalho; a economia pagá-las-á com crescimento. Segundo: compromisso com a manutenção dessa base remuneratória por cinco anos.
Terceiro: incentivo poderoso, através de certificados do Tesouro garantidos, à poupança dos que podem poupar, em vez da submissão patética do financiamento do Estado aos 'mercados'. Quarta: aposta deliberada em soluções de consumo, de mobilidade, de produção e trabalho, de qualificação das pessoas e de crédito sustentáveis, equilibradas e frugais, feita através de uma política urbana e de pequenos centros no espaço rural, o que implica um contrato radicalmente novo com as autarquias (esta é a única 'austeridade' que faz sentido). Quinta: intensa renovação da capacidade exportadora, através de acordos positivos, baseados na facilitação da ação empresarial e num compromisso com o emprego e os trabalhadores. Sexta: negociação, no plano europeu, de um programa de investimentos públicos politicamente assumido como um compromisso com a Europa, baseado na coesão social e na inclusão do povo e na salvaguarda do seu direito a uma vida digna."
O PROBLEMA DAS CAPELINHAS 
O combate à crise não se limita, no entanto, a medidas que impliquem gastar dinheiro. O corte na despesa do Estado, nas "gorduras desnecessárias" era, aliás, a grande promessa de Pedro Passos Coelho.
No final de maio de 2010, o economista João Cantiga Esteves, professor de Finanças no ISEG, deu uma entrevista à VISÃO na qual contabilizava em cerca de 14 mil o total de entidades que recebia, direta e indiretamente, dinheiros públicos.
E concluía que "o Estado não sabe o que tem, nem onde gasta". Passados mais de dois anos, com um novo Governo em exercício e com o País intervencionado pela troika, perguntámos-lhe o que mudou. A resposta foi uma monumental gargalhada. "É inquietante perceber o quão difícil é atuar energicamente numa área onde é imperativo fazê-lo. E o problema mantém-se: o Estado continua a não saber onde gasta, logo, continua a não saber onde pode poupar. Tirando, agora, estas iniciativas, nomeadamente na área das fundações, mas com resultados muito limitados, e pouco mais, já passou um ano e meio desta governação e nada..." Na execução orçamental de setembro, o resultado está à vista: a despesa efetiva do subsetor Estado cresceu 1,1 por cento.
Mesmo com os grandes cortes nas despesas com o pessoal (redução de salários e subsídios). "Há uma dificuldade enormíssima em ir ao fundo, ao detalhe, ao pormenor. O Governo centra-se nos grandes números, pois é muito mais fácil aumentar IVA, IRS, etc. Sempre foi assim, mas não pode continuar a ser. Tem de se poupar nos detalhes, um milhão aqui, outro ali", insiste Cantiga Esteves, que avança uma explicação para a inação governamental: "Tudo isto mexe com muitos interesses instalados, que vão do pequeno ao médio e ao grande. Há uma resistência fortíssima à mudança e ninguém quer sair da sua zona de conforto." A presença da troika em Portugal, considera o economista, não dá garantias de que se altere este estado de coisas.
"A troika concentra-se apenas nos grandes números e não se quer meter nestas coisas, que são nossas. É imperativo que o Governo lance publicamente o desafio aos ministérios, secretarias de Estado, direções-gerais, câmaras municipais, governos regionais, institutos públicos, fundações, etc., para apresentarem, no prazo de duas a três semanas, as suas propostas de redução de despesa. E, com as propostas nas mãos, vincular essas entidades.
Com isso percebe-se quem está disponível para contribuir para a solução do problema. A alternativa é explicar muito bem aos portugueses porque é que cada uma das capelinhas é intocável." Para João Cantiga Esteves, "o que é exigido aos dirigentes, em tempos de crise como o que vivemos, é que governem sem dinheiro". "Isso é que é habilidade. Governar com dinheiro é fácil. Apliquem-se!"
DUAS DROGAS
Mas chegamos sempre ao mesmo ponto: a economia cresce sem dinheiro, sem o empurrão do investimento público? E onde vamos nós buscar os fundos para investir se já temos uma dívida gigantesca? "Não é pelo afluxo de investimento estrangeiro. Este, ao adquirir ativos portugueses, não cria emprego. As privatizações podem é criar mais desemprego", responde José Castro Caldas.
Para este economista, tendo em conta que "quase todo o défice orçamental é resultado dos juros pagos pela dívida", não há "outra possibilidade de viragem sem o alívio da dívida". Como? "A reestruturação da dívida pública vai acontecer mais tarde ou mais cedo. Queremos fazê-la enquanto há portugueses vivos ou esperamos pela iniciativa dos credores, quando o País estiver destroçado?", desafia. Reestruturar a dívida significa não pagá-la, pelo menos em parte, para libertar recursos para o investimento.
Mas, na Grécia, a reestruturação da dívida não parece estar a salvar o país. "Foi insuficiente. O Banco Central Europeu e os credores europeus foram poupados", justifica Castro Caldas. E acrescenta: "Sabemos que o que está a ser feito só pode piorar as coisas. Mas a alternativa também não é nem fácil nem milagrosa.
Nem indolor." Pode é ser mais rápida. O exemplo acabado é a Islândia. Em 2009, tinha uma recessão de -6,6% do PIB. Em 2011, estava com um crescimento de 2,6 por cento.
O que aconteceu lá? O povo, em referendo, disse, simplesmente, que não pagava as dívidas dos bancos (muito diferente da atitude da Irlanda e da Espanha). "Os bancos entraram em falência e o Estado interveio minimamente para salvar os depósitos dos residentes. É possível, num caso de falência bancária, tomar medidas para manter o sistema de pagamentos em funcionamento e garantir o crédito", explica o economista. A Islândia representou uma espécie de rebelião contra os mercados, um símbolo de um povo que já pouco tinha a perder.
Em Portugal, vai-se perdendo qualquer coisa. "Viu-se que, punindo rudemente os rendimentos do trabalho, se destrói a economia por falta de procura, se gera desemprego maciço, se leva empresas à falência, se arruína recursos...", afirma José Reis.
Ainda na semana passada, o Nobel da Economia Paul Krugman escreveu: "O que a Grande Depressão ensinou aos políticos, da pior forma, foi que dinheiro curto e austeridade orçamental eram realmente más ideias, em face de uma economia profundamente deprimida. Mas tudo isto foi esquecido, exceto pelos historiadores de Economia. A dívida é uma droga. Mas a austeridade também o é."»